quinta-feira, 4 de junho de 2009

Pássaro usa o corpo como 'dique' para salvar filhotes de inundação



A fêmea tordoveia (pássaro do gênero Turdus) havia construído seu ninho próximo à abertura de um cano de escoamento, bloqueando a passagem da água. O ninho estava protegido do mau tempo, à sombra do telhado, mas ficou tão colado ao encanamento que a calha alagou com a chuva.
Desesperada para proteger seus filhotes, ela estufou o próprio corpo, que ficou duas vezes o seu tamanho, e sentou na calha para conter o fluxo da água, que já encharcava o ninho.
As imagens foram capturadas pelo fotógrafo da vida selvagem Dennis Bright, em uma casa no condado de Hampshire, sul da Inglaterra. Bright disse que ficou espantado com o comportamento da mãe tordoveia. "Foi uma questão de segundos até o cano inundar, e a água começou a cascatear para os lados." Bright ficou maravilhado com a engenhosidade do animal."Ela tinha que encontrar uma solução, então se estufou tanto que ficou do dobro do tamanho do parceiro, aí usou o corpo como uma barragem para parar a água - foi simplesmente espetacular", disse Bright.E completou, "ela estava muito dedicada, se mantendo ali mesmo quando a chuva batia pesado. Então a cada meia hora ela saía, se secava e voltava."
Ela estava tão ocupada com sua tarefa que seu parceiro se encarregou de manter ela e a cria alimentadas."O macho pôs-se a trabalhar - alimentava os filhotes e a fêmea enquanto ela continha a água. Tenho muita sorte de ter testemunhado algo tão raro e especial", contou o fotógrafo.Hester Phillips, da RSPB (Sociedade Real de Proteção aos Pássaros), disse nunca ter visto uma situação igual, mas não pareceu surpresa com o ocorrido: "Os pássaros podem ser criaturas muito fortes - sua resistência é impressionante - especialmente quando protegem sua cria".
Tradução: Eduardo Hegenberg (da Redação)
Fonte: Telegraph.co.uk

terça-feira, 2 de junho de 2009

Livro: Um Leão Chamado Christian


Um vídeo de apenas dois minutos exibido no YouTube transformou Um leão chamado Christian num dos maiores fenômenos da internet de todos os tempos. Em um mês, nada menos do que 4 milhões de pessoas assistiram e repassaram o filme que resume a inacreditável história de dois rapazes que se encantaram por um filhote de leão à venda num dos lugares mais improváveis do mundo, a sofisticada loja Harrod´s de Londres, e o criaram como um bichinho de estimação. Ao perceber seu erro, moveram mundos e fundos para devolvê-lo à África.


É lá, em plena selva, que vivem um reencontro emocionante.


As cenas de Christian já crescido e adaptado à vida selvagem, correndo para rever seus antigos donos, a quem recebe com a felicidade de uma criança que reencontra seus pais, rodaram o mundo. E despertaram a curiosidade em torno da inusitada história deste animal, capaz de demonstrar como ninguém como os laços de amor têm o poder de superar o tempo e a distância.


Veja no Submarino

sábado, 30 de maio de 2009

Gorilas: Uma nação ameaçada pelos humanos









Por Fátima Chuecco

A natureza tem façanhas inexplicáveis. Uma delas fez nascer um de seus maiores tesouros num dos lugares mais inóspitos do planeta, assolado pela pobreza e por uma guerra que já dura 15 anos. É na República Democrática do Congo, que tem o penúltimo pior IDH – Índice de Desenvolvimento Humano do mundo (só perde para Serra Leoa), que vivem os gorilas-das-montanhas - fascinantes criaturas com o triplo da força de um ser humano, mas com pouca ou nenhuma capacidade para se defender de seus parentes mais próximos.


Os gorilas compartilham conosco 98,4% de seu DNA, são vegetarianos (comem plantas, cascas e alguns insetos como cupins e formigas) e se comunicam por meio de pelo menos 30 sons com diferentes significados. Eles se dividem em Gorilas das Montanhas (com as espécies Mountain Gorilla e Eastern Lowland Gorilla) e Gorilas das Planícies (Cross River Gorilla e Western Lowland Gorilla – essa última é a única que ainda se mantém fora da Lista Vermelha da ONU de espécies criticamente ameaçadas de extinção).

O aspecto mais curioso é que apesar do tamanho e força, os gorilas estão completamente vulneráveis às ações do homem – seu único inimigo natural. No caso dos gorilas-das-montanhas, por exemplo, isso se deve ao fato de que o confronto corporal é a última alternativa de defesa. Primeiramente, o líder do grupo, conhecido como silverback ou dorso-prateado, responde ao ataque urrando e socando o próprio peito. Faz isso para afugentar o invasor. Mas essa estratégia, de certa maneira ingênua, é totalmente inútil contra caçadores armados até os dentes.


Há mais gente num único edifício de 10 andares em SP do que gorilas-das-montanhas no mundo


Restam apenas 720 gorilas-das-montanhas no planeta. Isso quer dizer que tem menos gorilas do que gente num único edifício comercial de uma grande metrópole como São Paulo. Um número praticamente insuficiente para a preservação da espécie levando-se em consideração que, assim como nós, os gorilas não se reproduzem com membros da mesma família e as fêmeas só dão à luz a apenas um bebê a cada quatro anos.

A gravidez dura nove meses e, durante esse período, o macho dominante faz para a gestante camas suspensas nas árvores, a cinco ou seis metros do chão. O vínculo familiar é muito forte. As gorilas se ajudam na criação dos bebês. Os machos também são carinhosos e freqüentemente são flagrados na floresta com bebês dormindo em seus peitos ou costas.

A maturidade sexual chega por volta dos 8 ou 9 anos de idade, mas os gorilas nessa fase ainda são adolescentes e jovens demais para serem pais. Surgem brincadeiras sexuais, mas raramente ocorre uma gravidez nesse período. Os gorilas machos só se tornam adultos com 18 anos e as fêmeas aos 15. Praticamente igual aos humanos. Nessa ocasião, os jovens gorilas migram para outros grupos em busca de parceiros. Resumindo: um gorila precisa sobreviver às inúmeras ameaças que o cercam por pelo menos 15 anos, antes de se reproduzir. Tempo demais numa região onde cada sombra representa um perigo.

Milagre da natureza: População cresceu 12,5% em um ano


Intensos conflitos entre rebeldes e exército congolês, fizeram com que os guardas florestais perdessem o contato com os gorilas durante 16 meses. O período de guerra resultou num contingente de quase 300 mil refugiados, entre eles, muitas famílias de guardas florestais. Além disso, o Parque de Virunga foi invadido por milícias e tornou-se impossível acompanhar e proteger os gorilas. Quando, no início de 2009, os guardas florestais puderam retomar seu trabalho graças a uma trégua negociada pela ONU, havia uma grande expectativa porque, acostumados aos humanos, muitos gorilas poderiam ter sido mortos.

No entanto, o último censo realizado este ano encheu de esperança os preservacionistas e provou que a natureza, além de façanhas, também têm suas proezas. Há dez novos bebês entre as seis famílias de gorilas localizadas no Parque (que foi decretado Patrimônio da Humanidade pela Unesco). No maior dos grupos, na Kabirizi Family, que tem 33 membros, foram vistos cinco bebês saudáveis.


O resultado do censo indica um crescimento de 12,5% na população do Parque que é monitorado pelo ICCN – Institut Congolais pour la Conservation de La Nature e mantém um site onde diariamente pode-se acompanhar os trabalhos de campo: http://www.gorilla.cd/ .

A sofrida vitória se deve aos preservacionistas e, especialmente, aos guardas florestais que muitas vezes trabalharam em meio a uma guerra para o qual não estavam equipados nem preparados. Nos últimos 10 anos houve uma baixa de 150 guardas florestais.

Os gorilas só existem num ponto do planeta, nas Montanhas de Virunga, exatamente na divisa entre República Democrática do Congo, Uganda e Ruanda. Cerca de 380 estão nas Montanhas entre os três países e, estima-se, que mais 340 numa região da floresta montanhosa de Uganda de difícil acesso aos humanos.

Na República Democrática do Congo estão 211 gorilas, incluindo a Rugendo Family da qual restaram apenas 9 membros depois do massacre de 2007 que chocou o mundo, quando 7 gorilas foram assassinados com tiros na cabeça. Além das famílias já conhecidas dos guardas florestais, foram avistados gorilas vindos, provavelmente, de outras regiões e três silverbacks solitários.

Mudança de comportamento: grupos com dois chefes de família

As novidades não param de surgir na República Democrática do Congo. Além do nascimento de 10 bebês, duas famílias de gorilas foram flagradas atravessando juntas as florestas do Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo. Isso nunca foi registrado antes. Geralmente, quando duas famílias se cruzam há conflito entre os dois líderes (também conhecidos como silverbacks ou dorsos prateados) ou os dois grupos simplesmente seguem cada um para um lado.

É bastante difícil duas famílias de gorilas se cruzarem na floresta porque a “etiqueta” da selva manda que os grupos se desenvolvam em áreas distantes para que todos tenham condições de alimento e sobrevivência. Mas nesse caso, as famílias Humba e Kabirizi, foram filmadas interagindo. O encontro das duas famílias pode ser resultado do pouco espaço habitável que sobrou aos Gorilas das Montanhas no Parque de Virunga (boa parte tomada por agricultores e outra invadida por rebeldes armados). Por trás do raro comportamento de interagirem pode estar a intenção de reforçar a defesa dos dois grupos.


Humba e Kabirizi, numa situação mais normal, se enfrentariam e o vencedor ficaria com as fêmeas mais jovens, ampliando seu grupo. Conflitos desse gênero podem acarretar grandes prejuízos para a espécie, pois, muitas vezes bebês são separados de suas mães e não sobrevivem. Mas os dois silverbacks do Congo, já conhecidos dos guardas florestais, investiram numa espécie de “entendimento”.

Isso pode ter um valor científico incalculável. Pode significar toda uma mudança de comportamento que tem sido mantido há milênios de anos. É como se os gorilas soubessem da necessidade de unirem forças para a sobrevivência de suas famílias. Um grupo mais numeroso também pode oferecer uma resistência maior aos inimigos, como caçadores. Se durante um ataque de caçadores um dos líderes sobreviver, ele poderá sozinho continuar conduzindo os membros que sobrarem das duas famílias. Fêmeas e seus bebês são muito frágeis e necessitam da proteção de um silverback.

Cada um é dono do seu nariz

Os gorilas são reconhecidos por seus narizes. Não há nenhum gorila com nariz igual ao de outro. Por esse motivo, os guardas florestais possuem uma lista com os desenhos dos narizes e respectivos nomes dos gorilas. É dessa forma que sabem identificar as famílias e seus membros: pelo formato do nariz.
Vale lembrar que é errado chamar um gorila de macaco. O gorila faz parte do grupo dos grandes primatas que não possuem rabo. A esse grupo também pertencem o chimpanzé, o orangotango, o bonobo e o homem. Macacos ou “monkeys” são os primatas com rabo e “apes” são os primatas considerados mais evoluídos, com sistemas sociais mais complexos, uso de ferramentas rudimentares e facilidade de aprendizado. A famosa Koko, gorila hoje com 33 anos de idade, aprendeu a se comunicar pela linguagem dos sinais, criou novas palavras para expressar o que deseja ou sente e manipula computador.

Participe da Campanha

YoG 2009 – Ano Internacional do Gorila
Promotora - Unesco, por meio do Programa para o Meio Ambiente da UNEP (United Nations Environment Programme)
Site oficial: http://www.yog2009.org/
Site em português: http://www.gorillashelp.com/
População de gorilas no mundo:
Cross River Gorilla – 300 indivíduos (Camarões e Nigéria)
Mountain Gorilla – 720 (República Democrática do Congo (RDC), Ruanda e Uganda)
Eastern Lowland Gorilla – 5 mil (RDC)
Western Lowland Gorilla –150 mil (RDC, Gabão e Guiné-Bissau)


* Publicada na Mãe Terra

Baleias encalham em praia da África do Sul





Cerca de 55 baleias-piloto encalharam em uma praia da Cidade do Cabo, na África do Sul. Voluntários e cientistas marinhos foram até o local, neste sábado, para tentar resgatar os animais, informou a Reuters. As equipes de resgate tentam manter as baleias molhadas e usam retroescavadeiras para tentar recolocar os animais em águas profundas. "A operação está em curso. Ondas grandes estão empurrando os animais para a praia", disse Craig Lambinon, porta-voz do Instituto Nacional de Resgate Marinho (NSRI, em inglês).
Segundo uma rádio local, a morte de três animais foi confirmada. Ainda não se sabe o que levou as baleias a encalharem na praia. De acordo com o NSRI, é a primeira vez que um incidente do tipo é registrado na praia da Cidade do Cabo.
Equipe de resgate do mar e voluntários trabalham para salvar a vida de 55 baleias que encalharam na praia de Kommetjie, na Cidade do Cabo, na África do Sul (Foto: Schalk van Zuydam/AP)

Pessoas ajudam a salvar uma baleia que encalhou em praia sul-africana. Ainda se estuda a causa do incidente (Foto: Schalk van Zuydam/AP)
Com informações: Reuters/France Press/Terra/G1

terça-feira, 26 de maio de 2009

Onça apreendida no AM não pode voltar à natureza e não encontra lar definitivo




Uma onça-parda de dois anos e meio que vive no Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama em Manaus é exemplo de um problema comum entre bichos apreendidos pela instituição. Batizado pelos tratadores de Shiva, o felino, que na verdade é um macho, chegou ainda pequeno ao órgão ambiental, e, por isso, não aprendeu a viver solto na natureza.

Segundo Carlos Abrahão, veterinário responsável pelo núcleo de fauna silvestre do Ibama, existem treinamentos que permitiriam readaptar o animal à vida selvagem, mas são tão caros e demorados que raramente são aplicados, mesmo em países ricos. “Os custo para reintroduzi-lo é muito alto. Ele está fadado à vida em cativeiro. Veio como filhote e nunca aprendeu a caçar”, diz Abrahão.


O felino tem entre 25 e 30 quilos, mede 1 metro de comprimento (sem a cauda) e devora 2 quilos de carne por dia. (Foto: Divulgação/Ibama)


Por outro lado, o centro de triagem tampouco é pensado para ser o lar definitivo dos animais. O Ibama tenta encaminhá-los para zoológicos ou criadouros autorizados com instalações adequadas. “Temos poucas instituições que podem recebê-lo legalmente”, conta Abrahão. E a maioria deles fica no centro-sul do país, distante de Manaus.

O custo para a transferência, que precisa ser feita de avião, é alto. Além disso, a onça-parda existe em todo o país e, por isso, não há tantos locais interessados em receber espécimes de longe.Em março, a irmã de Shiva, Krishna, foi levada para um criadouro particular em Santa Rita do Passa Quatro, no estado de São Paulo, em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). As duas onças foram encontradas quando ainda tinham poucos meses, em Rio Preto da Eva (AM). Abrahão não sabe dizer o que aconteceu com a mãe das duas onças-pardas. Ele aponta, no entanto, que é comum, em casos como este, que caçadores matem a mãe, encontrem os filhotes e fiquem com pena de matá-los também.

Também são comuns os casos em que as pessoas levam os filhotes para casa, mas não conseguem mantê-los quando adultos, já que não podem ser domesticados. "O animal vai crescendo e fica agressivo porque é selvagem", explica o veterinário do Ibama. O custo para manter uma onça como Shiva também é alto, já que chega a comer 2 quilos de carne ao dia.

Animais têm senso de moral, como os humanos



Cientistas que estudam o comportamento animal acreditam ter evidências de que espécies de mamíferos, entre ratos e primatas, têm moral de conduta, assim como os humanos. O Professor Marc Bekoff, um ecologista da Universidade do Colorado acredita que a moral está ligada ao cérebro dos mamíferos e provê uma ligação social que permite que animais agressivos e competitivos vivam juntos em grupo.

O professor tem evidências de que, ao redor do mundo, diferentes espécies têm um senso inato de justiça, empatia e ajudam outros animais. Isso dá munição para grupos que buscam que os animais sejam tratados mais humanamente. Mas alguns "experts" são céticos com relação a quais animais podem ter experiências emocionais complexas e responsabilidade social.
Códigos morais são específicos para cada espécie, então é difícil estabelecer uma comparação com os humanos. O professor Bekoff acredita que a moral nos animais ajuda a regular o comportamento social em grupos. Ele diz que as regras ajudam a controlar as brigas e o comportamento cooperativo. Mesmo animais que estão longe de nós na escala evolutiva, como baleias e gofinhos, têm as mesmas estruturas cerebrais responsáveis pela empatia nos humanos. Outras descobertas mostraram que alguns animais podem ser capazes de mostar empatia com outras espécies.
O professor Frans Waal, um behaviorista em primatas da Universidade Emory em Atlanta, Georgia disse não acreditar que os animais tenham o mesmo senso de moral que os humanos. A moralidade humana não está toda nos genes, ela cresceu na nossa psicologia primitiva.
Fonte: HypeScience / Foto: Telegraph

Entre Amazônia e Andes, ruínas revelam que animais eram cultuados com devoção


No topo da cordilheira, uma muralha de pedra talhada dá a dimensão de uma das primeiras cidades das Américas. Com 30 metros de altura e 600 de comprimento, ela foi erguida no século XII para proteger o povo chacapoya, que habitava a região muito antes dos incas. Hoje, restam ruínas das 420 casas que formavam as ruas da comunidade. Nas residências maiores, moravam entre seis e oito pessoas. Na cozinha, dizem os pesquisadores, o trigo e o milho eram moídos em pedras. As roupas e objetos pessoais eram guardados em buracos nas paredes, parecidos com armários embutidos – uma prova de que muito antes da descoberta, as civilizações que ocupavam as Américas já eram organizadas. A curiosa forma circular das casas tinha um sentido muito mais nobre do que um capricho arquitetônico. "Círculo não tem início, nem fim, é uma cultura eterna", explica a pesquisadora Hildegard de Leon. Para os historiadores, o padrão arredondado permitia mais integração. As pessoas viviam em permanente reciprocidade. “Toda a organização social, política e econômica era muito bem estabelecida", diz o arqueólogo Julio Rodrigues. Ainda se sabe muito pouco sobre as ruínas, diz o arqueólogo. Ele comanda uma pesquisa que depende de um cuidadoso trabalho braçal. As escavações já desenterraram cerâmicas, crânios, vestígios de um passado que deixou poucos registros na história. Um dos desafios é descobrir como desapareceram os moradores deste lugar.
Cidade habitada
La Jalca, uma cidadezinha meio esquecida em um dos pontos mais altos da Amazônia, também guarda um monumento precioso. Aqui, chachapoyas e incas tentaram, mas não conseguiram, resistir à invasão dos conquistadores espanhóis. Depois da conquista, veio o abandono. Os espanhóis não suportaram o clima, de muita chuva e o frio de três mil metros de altitude, e abandonaram La Jalca. Mas deixaram uma herança que hoje ainda é considerada um dos patrimônios mais importantes do norte do Peru: uma igreja do século 16, construída pela tecnologia chachapoya, com pedra sobre pedra. O padre Diego Garcia nos mostra na parede que os católicos mais antigos da Amazônia não cultuavam os santos, e sim os animais. Três espécies eram respeitadas com devoção. "A serpente, os primatas e os felinos", mostra o padre. Mais uma curiosidade da igreja: a torre. Fica do outro lado da rua, fora da nave. O historiador Peter Thomas, depois de 30 anos de pesquisa descobriu os motivos: "Havia uma igreja ao lado, que não existe mais. A torre servia para ambas. Era também ponto de observação e vigilância”.
Assista, aqui, ao vídeo da matéria.
Fonte: Globo Amazônia

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