sábado, 6 de junho de 2009

Marina pede que Lula vete três artigos da MP da Amazônia

A senadora Marina Silva (PT-AC) enviou uma carta aberta ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pedindo o veto de três artigos da medida provisória (MP) que permite a regularização de terras na Amazônia Legal. A matéria - aprovada no Senado sob a forma de um projeto de lei de conversão - será enviada ao presidente para sanção.
“Da forma como foi aprovada,a proposta representa a legalização da grilagem”declarou ela ao anunciar a carta, nesta quinta-feira (4).
Segundo Marina Silva, um dos objetivos dos vetos é impedir que “aqueles que promovem a grilagem de terras, e colocam prepostos [laranjas] para cuidar dessas áreas, possam agora regularizá-las”. A senadora ressaltou que os grileiros e os prepostos não podem ser confundidos com os posseiros - na quarta-feira, durante a votação da matéria, ela disse que um dos riscos da nova lei é que “aqueles que cometeram o crime de apropriação de terras públicas, os grileiros, sejam anistiados e confundidos com posseiros de boa fé”.
Outro objetivo dos vetos, destacou ela, é garantir que a vistoria - “o instrumento mais importante de controle do processo de regularização fundiária” - seja aplicada inclusive para as terras com até quatro módulos fiscais (na região, um módulo fiscal equivale a cerca de 76 hectares). Marina lembrou que o texto aprovado no Senado dispensa da vistoria as áreas com até quatro módulos fiscais, que, segundo ela, “também podem apresentar irregularidades, inclusive com a presença de laranjas”. No caso de terras de até um módulo fiscal, a parlamentar explicou que a dispensa da vistoria poderá ser concedida pelo governo durante o processo de regularização.
Além disso, os vetos também visam limitar a regularização de terras para as pessoas jurídicas que possuam outras propriedades rurais. Nesse caso, ela argumentou que há, na matéria aprovada pelo Senado, “uma anomalia difícil de ser percebida”.
- Quem tiver várias empresas pode regularizar 1,5 mil hectares por cada empresa. E ainda poderá regularizar a si próprio como pessoa física - disse, acrescentando que “são formas de burlar [a lei]”.
Retrocesso
Ao ser questionada sobre os possíveis impactos da nova lei sobre o meio ambiente e sobre a Amazônia, a senadora declarou que o texto, da forma como foi aprovado, “provocará um imenso retrocesso no processo de regularização fundiária que, timidamente, começava a avançar”. Ela afirmou que, com a lei, 20% dos proprietários da região (”os grandes e médios proprietários”) ficarão com aproximadamente 72% da área total, enquanto “os pequenos”, que possuem terras de um a quatro módulos fiscais, ficarão com apenas 11,5% da área total.
- E os pequenos representam 80% dos proprietários da região - frisou.
Também conhecida como MP da Amazônia, essa matéria tramitou inicialmente como MP 458/09. Após ser modificada na Câmara dos Deputados, passou a tramitar como projeto de lei de conversão (PLV) 9/09.

Vegetarianos reduzem impacto ambiental



Foi por respeito aos animais e preocupação com o meio ambiente que a estudante Mellothi Zanandrea de Melo, 20 anos, tomou uma decisão radical quatro anos atrás: cortar de vez o consumo de carne.
O primeiro contato da jovem com a dieta sem carnes foi por meio de uma amiga. Fez pesquisas, estudou o assunto, usou a internet para se informar melhor e chegou à conclusão de que abdicar de carne seria uma boa decisão em nome do meio ambiente.
Depois, entre uma conversa e outra, ela convenceu cinco amigos a cortarem carne vermelha da dieta. Outros três se tornaram vegetarianos, como ela, ou seja, não consomem mais nenhum tipo de carne.
“Mesmo entre os que não comem carne, a maioria toma a decisão pensando na dieta. As pessoas ainda pensam somente no próprio umbigo e, por outro lado, acredito que falta muita informação”, disse Mellothi, que também apoia decisões menos radicais em nome do meio ambiente, como a de apenas reduzir o consumo de carne.
Dados de organizações ambientalistas apontam o custo ambiental da produção de carne, quando comparada com a produção de vegetais.Produção
Segundo dados do Instituto Cepa (Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola), em quatro anos, numa área de um quarto de hectare (2,5 mil metros quadrados) voltada para a pecuária são produzidos 210 quilos de carne.
No mesmo espaço, seria possível produzir muito mais alimentos vegetais: oito toneladas de feijão, 19 toneladas de arroz, 23 toneladas de trigo ou 44 toneladas de batata.
O gasto com água na pecuária também é bem maior. Para se produzir um quilo de soja, são necessários 500 litros de água. Mas, para produzir um quilo de carne bovina, são necessários 15 mil litros de água. O impacto ambiental é outro aspecto negativo da pecuária. Cada cabeça de gado precisa de um hectare de pasto para engordar, o que equivale a 10 mil metros quadrados.
Hoje estima-se que haja 200 milhões de cabeças de gado no Brasil em 250 milhões de hectares, o que representa quase um terço do território nacional.Para ter uma alimentação amiga do ambiente• Dê preferência a vegetais: frutas, verduras, legumes e grãos. Segundo pesquisas recentes, a pecuária precisa de áreas bem maiores do que a agricultura, consome mais água e contribui para o aquecimento global, acredite se quiser, com o metano da flatulência do gado.
• Compre alimentos produzidos na sua própria região e de preferência da época. Assim, a possibilidade de estragarem é menor. Segundo pesquisas, o brasileiro desperdiça em média um terço do que consome.
• Apesar de ter que pagar mais por isso, prefira alimentos orgânicos. A agricultura orgânica não usa nenhum tipo de químico, seja agrotóxico, seja fertilizante, e, portanto, não polui.
(Com informações de A Cidade / Foto: J.F. Pimenta)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Partido Pelos Animais pretende ser oficializado ainda este ano


O Partido Pelos Animais ainda não está formalizado junto do Tribunal Constitucional de Portugal, mas está se mobilizando para conseguir ser oficializado nos próximos meses. O blog (acesse aqui) está recolhendo assinaturas para que o novo partido possa reconhecido ainda este ano.
Apesar de ser focado nos direitos dos animais, o partido não será monotemático segundo explicou Paulo Borges, da comissão coordenadora. “Vamos nos manifestar igualmente a favor da defesa da natureza, do meio ambiente e de todas as formas de vida, o que inclui obviamente o próprio Homem, cuja felicidade depende da sua relação harmoniosa com os outros seres", disse.

De acordo com Borges, a prioridade dada aos animais tem duas grandes razões, a primeira é o fato de, em Portugal, os animais "serem considerados meros objetos, em termos jurídicos, o que é escandaloso, além de não terem a possibilidade de se defender dos sofrimentos e exploração desnecessários de que são vítimas por parte dos humanos. Do ponto de vista do Código Penal, é equivalente matar um cão ou destruir uma cadeira: é apenas um crime contra o patrimônio, ou seja, contra uma coisa possuída por outra pessoa", sublinhou, acrescentando que isto configura um atraso em relação à legislação que existe em outros pontos da Europa, o que leva o partido a lutar "também por uma alteração desta lei".

“Por outro lado, da defesa dos animais e da natureza depende hoje a sobrevivência e a qualidade de vida da própria Humanidade, sendo também esta a causa que, pela sua natureza altruísta, mais implica uma mudança mental e ética das pessoas, trazendo grandes benefícios sociais, políticos e até econômicos, permitindo criar imensos novos empregos destinados à proteção dos animais, como já acontece em muitos países europeus", completou.

Professor do Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Paulo Borges reconheceu, porém, que o sistema eleitoral português não facilita a entrada de novos partidos na Assembleia da República, ao contrário do da Holanda, onde o congênere Partij voor de Dieren tem dois deputados no parlamento.

"Por isso, um dos objetivos programáticos do nosso partido é propor a alteração da lei eleitoral, de modo a que ela não constitua um sistema blindado, que quase impede a emergência de novos partidos", assinalou, acrescentando que, não obstante esta dificuldade, o Partido Pelos Animais pretende ter uma representação parlamentar "tão ampla quanto possível".

"Confiamos na vocação do povo português para ser solidário e abraçar causas nobres. Fomos os primeiros a abolir a pena de morte e despertarmos a comunidade internacional para o drama de Timor. Cabe-nos hoje ampliar o nosso universalismo para além dos limites da nossa espécie", declarou ainda.

Questionado sobre a opção de criar um novo partido em lugar de se unir aos já existentes, Paulo Borges explicou que os objetivos da estrutura são "transversais a todo o leque político-partidário".

"Não consideramos que a defesa da natureza, do meio ambiente, dos seres vivos possa ser propriedade exclusiva de qualquer orientação política. Na verdade, ela transcende todas. Seja à esquerda, ao centro ou à direita, encontramos pessoas extremamente sensíveis a esta causa", disse, indicando que, no entanto, considera "positivo e desejável" o trabalho que outros partidos façam naquelas áreas.

O Partido Pelos Animais pretende ser a manifestação, em Portugal, de uma forma de "consciência e de sensibilidade, que surge em todo o mundo", e que visa pôr em prática "um novo paradigma mental, ético e civilizacional", lê-se no manifesto disponível na Internet.

A estrutura - que colocou "online" a ficha de recolhimento de assinaturas - tem no seu horizonte "todas as formas de eleição" e fará "todo o possível" por ainda participar nos atos eleitorais previstos para este ano.

E, mesmo que o processo burocrático associado à criação de um novo partido inviabilize a possibilidade, a comissão organizadora procura, para já, gerar "um movimento de opinião que obrigue as demais forças políticas a uma atuação mais efetiva" no domínio dos direitos dos animais.

"Seja qual for o nosso sucesso em curto prazo, estamos convictos de que os valores que defendemos são valores necessários e urgentes para impedir uma maior degradação da vida humana", declarou Paulo Borges à Lusa.

"Acreditamos que são sensíveis à nossa causa milhares de portugueses que têm um amor incondicional pelos animais e que não se revêem num leque político e partidário onde os direitos destes parecem ser quase sempre esquecidos", afirmou o também presidente da União Budista Portuguesa.
Para essa convicção contribui "o fato de muitas pessoas, nos mais variados pontos dos país, se terem oferecido para recolher assinaturas e nos ajudarem a levar para a frente este projeto", frisou.

Em prol de uma causa que "implica profundas mudanças cultural, social e educativo", o Partido Pelos Animais conta ainda com o incentivo da ativista Maneka Anand Gandhi, membro de vários governos na Índia e atual presidente da delegação indiana da organização People for Animals (Pessoas pelos Animais).

Destacando a importância e o simbolismo deste apoio, expresso numa mensagem de Maneka Gandhi disponibilizada na Net, Paulo Borges revelou que a ativista - que "encarna o mesmo espírito de não-violência de Mahatma Gandhi", seu familiar - já aceitou "vir a Portugal quando o Partido tiver formalizado a sua constituição".

O blog do Partido Pelos Animais surgiu no início de maio, depois de a deputada socialista Eugénia Alho ter acusado os partidos da oposição de, "numa altura de crise", darem "prioridade aos animais selvagens" em detrimento "dos trabalhadores" dos circos.

A reação da deputada teve lugar durante o debate em plenário dos projetos do Bloco de Esquerda e do Partido Ecologista "Os Verdes" para proibir o uso de animais nos circos e do projeto do PCP para reforçar a proteção dos animais utilizados em espetáculos circenses, que foram chumbados pelo PS.

A propósito das declarações de Eugénia Alho - mencionadas na entrada do blog - Paulo Borges considerou que "os direitos dos seres vivos, sejam eles homens ou animais, estão acima de qualquer época de crise. Não se pode justificar com a crise uma situação obviamente injusta em relação a seres vivos que são sensíveis, que experimentam a dor e o sofrimento e que têm direito a ter o seu bem-estar preservado".

Com informações da Lusa/ Expresso

Autoridades oferecem recompensa para encontrar serial killer de gatos



As autoridades do sul da Flórida buscam uma pessoa que já assassinou cerca de 27 gatos e oferecem uma recompensa de US$ 7.500 a quem fornecer informação que permita prender o "assassino em série".
O caso mantém em pânicoquem tem animais de estimação em Cutler Bay e Palmetto Bay, no condado de Miami-Dade, onde 25 gatos foram mutilados, esfolados e alguns tiveram os órgãos internos arrancados, de acordo com os relatórios policiais divulgados hoje. Agora o chamado "assassino em série de gatos" aparentemente se transferiu para Lauderhill, em Broward, onde foram encontrados outros dois gatos mortos na quarta-feira e no sábado passado.
O capitão Rick Rocco da Polícia de Lauderhill informou que em um dos casos o animal mostrava cortes muito precisos, "tão precisos, que parecia que se tratava de alguém que sabia o que estava fazendo".
Outro dos gatos tinha um traumatismo na testa.

Fonte: EFE


O assassino em série de gatos ataca de noite e joga os corpos dos animais nos jardins das casas, às vezes nas residências dos donos dos animais de estimação mortos. Pimentel recomendou manter os gatos dentro de casa.

"É terrível. Ele definitivamente não é uma boa pessoa", disse Dee Chess, fundador de um centro local de ajuda aos animais chamado Friends Forever.
Nick Pimentel, porta-voz da Polícia de Miami-Dade, disse à Agência Efe que há a suspeita de que possam se tratar de jovens aos quais são impostos desafios para que formem partem de gangues ou outros grupos.

Vigília para cavalos explorados em Nova Iorque


organização Friends of Animals está organizando amanhã uma vigília em Nova Iorque para chamar atenção para o sofrimento dos cavalos usados em carruagens na cidade. A aglomeração se dará ás 11 da manhã.
Existe uma campanha forte contra a indústria de carruagens na cidade americana, onde os animais são submetidos a um trânsito infernal, temperaturas extremas e condições deploráveis de alojamento. Até mesmo um documentário já foi produzido sobre o assunto. Blinders mostra a face cruel dessa indústria anacrônica e já ganhou prêmios em vários festivais.
A campanha visa abolir a indústria e não simplesmente introduzir medidas regulatórias.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Gavião é devolvido à natureza em Manaus (AM)


Um gavião da espécie Carijó, comum na região amazônica, foi devolvido à natureza por agentes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), segundo informou o órgão.O animal foi resgatado e tratado no Refúgio Sauim Castanheira, uma unidade de conservação mantida pela prefeitura, na zona Leste de Manaus, para onde são levados os animais silvestres encontrados em situação de risco. Atualmente, o local abriga mais de 80 animais.

Bastidores da aprovação do projeto de lei que proíbe o uso de animais em circos



Por George Guimarães
Escrevemos mais uma importante página de um dos capítulos da defesa animal no país. Na manhã do dia 3 de junho, a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade o Substitutivo do Projeto de Lei 7.291/2006, que proíbe o uso de animais em circos em todo o território nacional. Refiro-me a essa vitória como apenas uma das páginas de um dos muitos capítulos porque esse Projeto de Lei ainda está longe de ser aprovado, pois ainda terá que passar pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e possivelmente pelo Plenário, seguindo depois para o Senado, onde passará por novas comissões. Ainda assim, a vitória de hoje na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, onde o projeto esteve tramitando por longos dois anos e meio e com isso causando grande apreensão, é certamente um momento determinante.
Diferentes grupos e indivíduos dedicados à proteção e defesa animal trabalham com a questão dos animais em circo há mais de uma década. Alguns desses estiveram presentes no Plenário 10 da Câmara dos Deputados e muitos outros estiveram presentes em tantos outros momentos, participando de reuniões, audiências públicas, visitas a gabinetes e de outras formas de articulação com os parlamentares.
Hoje pudemos sentir aliviada uma tensão que se acumulava há muitos meses. Entre uma série de adiamentos de audiências públicas que por fim não aconteceram e os também seguidos adiamentos de votações, os ativistas pelos direitos animais por muitas vezes se apresentaram desestimulados diante da desarticulação causada por esses cansativos processos. Aos que se mantiveram fortes e disponíveis enquanto os seus colegas estavam impossibilitados, e aos que fizeram os sacrifícios que foram necessários, todos os esforços foram recompensados na data de hoje. Ainda assim, é importante saber que ainda há muitos embates pela frente até que seja aprovada uma legislação em favor da abolição do uso de animais em circos nesse país.
Estar em Brasília em busca da atenção dos parlamentares não é tarefa fácil. Raramente é possível ter contato com eles, ficando a comunicação restrita aos seus assessores. Alguns informam uma posição firme do parlamentar sobre a questão de modo que podemos confiar nela, enquanto outros informam a posição de maneira duvidosa. Muitos se mostram mal informados ou sequer desejosos de receberam a informação, enquanto outros informam claramente que votarão de acordo com o partido. Ou seja, são poucos os que podemos confiar e são muitos o que nos deixam sem qualquer segurança sobre seu posicionamento. Pelo que eu pude aprender, tudo é decidido às pressas e com muitas falhas de comunicação, o que só aumenta a possibilidade de prevalecer a desinformação, haja vista que apenas a comunicação seguida da ponderação é capaz de criar espaço para informação necessária à tomada de decisão à altura de um assunto dessa importância.
Na tarde anterior à votação, a informação era a de que a negociação girava em torno de três questões: a exclusão do termo “congêneres” do texto do substitutivo (havia temor de que atividades como rodeios pudessem ser afetadas por essa lei, apesar de haver no texto um artigo que especifica essa exclusão), a extensão do prazo para destinação dos animais de três para seis anos e a exclusão da proibição dos animais domésticos (o que significava que eles poderiam continuar a ser apresentados). Segundo os opositores, havendo o aceite dessas três condições, a matéria seria aprovada. O posicionamento sobre a exclusão do termo “congêneres” e o aumento do prazo era consenso entre os defensores dos direitos animais presentes. Já com relação à exclusão dos animais domésticos, o posicionamento foi firme no sentido de não aceitar negociações com relação a esse ponto.
Em conversa com a assessoria do relator do projeto na noite de ontem (horas antes da votação), meu posicionamento pessoal foi o de que se os animais domésticos fossem excluídos da proibição, seria da minha preferência que a matéria fosse rejeitada por completo, pois preferiríamos que não houvesse uma lei caso essa fosse tão imensamente incoerente ao ponto de excluir algumas espécies animais enquanto mantém outras. Ora, ou o nosso argumento moral vale para todas as espécies ou ele não valerá. Idem para os nossos argumentos sanitários e de segurança, pois os riscos oferecidos à população são semelhantes independentemente da espécie que é mantida pela por essa atividade que tem intrínseca a característica itinerante. Além dessas, também no que diz respeito à educação, que é a matéria da Comissão de Educação e Cultura, o prejuízo causado à formação de uma criança que é convidada a divertir-se com a humilhação de um chimpanzé ou o subjugo de um leão é o mesmo ainda que os sujeitos de tal tratamento sejam substituídos por um cavalo ou um cachorro.
Passado esse debate, ficou acordado que o texto que iria para votação seria tal de forma que atendesse apenas às solicitações que se referem à extensão do prazo e à exclusão das atividades congêneres, ficando mantido o posicionamento em relação à abolição da exibição de qualquer espécie animal, excetuando-se dessa proibição apenas os animais humanos. E assim ele foi apresentado. Mas, pela manhã, a negociação da exclusão dos animais domésticos voltou ao debate no Plenário 10 da Câmara dos Deputados. Aqueles que se opunham ao substitutivo declararam-se dispostos a aceitar todos os outros termos do projeto de lei desde que os animais domésticos fossem excluídos da proibição. Essa poderia parecer uma proposta bastante tentadora, haja vista que estava distante de ser certa a aprovação caso o embate caminhasse para a decisão pelo voto (que é o oposto de uma decisão por acordo). Os parlamentares em oposição ao texto lembravam aos outros deputados sobre o risco de perderem na votação caso o acordo para a exclusão dos domésticos não fosse aceito. No entanto, para a sorte dos animais de todas as espécies, os parlamentares que discursavam e negociavam em favor dos animais mantiveram-se sóbrios e firmes em sua posição, a qual foi totalmente condizente com a proposta da libertação animal.
São merecedores dos nossos agradecimentos os Deputados Federais:
- Affonso Camargo (PSDB-PR), que apesar de não fazer parte da Comissão de Educação e Cultura, esteve presente na votação e em muitos outros momentos da tramitação desse projeto de lei, discursando sobre o tema sem amarras e, hoje em especial, convidando aos outros parlamentares a fazerem um exame de consciência ao decidirem pela posição que tomariam;
- Alice Portugal (PCdoB-BA), que defendeu com uma energia ímpar aos interesses dos animais e da sociedade humana quando se posicionou diante dos outros parlamentares munida de argumentos firmes e repletos de informação;
- Antônio Carlos Biffi (PT-MS), relator do Substitutivo do Projeto de Lei em questão, desde o início da tramitação apresentou um excelente relatório que vinha de encontro aos interesses dos animais, mantendo-se coerente com o seu arrazoado até o final das negociações;
- Maria do Rosário (PT-RS), presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, pela excelente condução dos trabalhos realizados pela Comissão por ela presidida;
- Ricardo Tripoli (PSDB-SP), que apesar de não fazer parte da Comissão de Educação e Cultura, esteve presente na votação e fez uso da palavra para defender os interesses dos animais em circos, tendo sido a sua presença de essencial importância para a mediação das negociações.
Cidadãos comuns não têm direito à voz durante a votação, mas podem estar presentes em silêncio (com exceção de uma manifestação aqui e ali, sempre devidamente advertida pela presidente da Mesa). Éramos cerca de 40 ativistas pelos direitos animais contra uma quantidade semelhante de circenses. Os ativistas posicionaram-se de maneira ordenada na penúltima fila (ou a primeira disponível para o público), exibindo faixas e cartazes, os quais foram apenas momentaneamente ofuscados pela pilha de abaixo-assinados que foi colocada sobre a mesa onde estávamos. As assinaturas, colhidas por grupos espalhados por todo o país e cujo transporte foi confiado ao VEDDAS para ser protocolado na Câmara dos Deputados, no dia anterior desfilou pelos gabinetes dos parlamentares em uma singela mala que carregava o conteúdo pesando 50 quilos (isso sem mencionar os outros 30 quilos de materiais como faixas e megafone que foram levados a Brasília com dois únicos braços e usados para adornar o ambiente externo que dá acesso ao Anexo II da Câmara dos Deputados). A pilha de assinaturas exposta sobre a mesa exibia em seus 70 centímetros de altura as assinaturas de cerca de 100.000 (cem mil) cidadãos que por meio dela declararam serem contrários à presença de animais em circos. Outras folhas, trazidas por outros indivíduos, foram agregadas a essa pilha no momento da votação.
O Deputado Ricardo Tripoli foi o segundo parlamentar a fazer uso da palavra e foi ele quem trouxe a atenção dos outros parlamentares para a platéia de defensores dos direitos animais que se colocava às suas costas. Nesse momento, ele pediu a permissão da presidente da Comissão de Educação e Cultura para que o VEDDAS entregasse à Comissão os abaixo-assinados que portava. O pedido foi acatado, mas não sem antes dar a oportunidade aos circenses de fazerem o mesmo (a minha estimativa é de que a pilha de assinaturas apresentada por eles continha cerca de cinquenta folhas). A presidente recebeu das minhas mãos as cem mil assinaturas que me foram confiadas e que foram devidamente posicionadas ao lado da Mesa, dando assim continuidade aos trabalhos.
As posições contrárias à proibição do uso de animais em circos frequentemente usavam de argumentos que excedem o limite do não risível, atestando aos mais esclarecidos que o que ocorre na verdade é que estão desprovidos de argumentos. Já as posições favoráveis à proibição do uso de animais em circos foram bastante consistentes e surpreendentemente focadas na questão animal. Digo que isso foi surpreendente porque há uma série de argumentos antropocêntricos, como as questões sanitárias e de segurança, disponíveis para uso, mas os argumentos que colocam em foco o interesse dos animais em não serem sujeitados às condições inerentes à atividade circense foram os mais usados.
Encerradas as exposições por parte dos parlamentares, houve uma breve movimentação no sentido de negociações entre eles. Das alterações propostas, a única que foi acatada pelo relator foi de estender para oito anos o prazo para a destinação dos animais. Em seguida, a matéria foi colocada em votação e, sem deixar que a tensão se alongasse, o texto foi rapidamente aprovado por unanimidade, o que provocou a comemoração entre os ativistas que ocupavam o Plenário.
Muitos grupos estiverem presentes no momento da votação. Além da presença do VEDDAS de São Paulo, destaco a presença da ADI de Londres, ANIDA do Rio de Janeiro, Coletivo Madu do Distrito Federal, Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, ProAnima do Distrito Federal e WSPA, que se manifestaram em voz uníssona durante os trabalhos. Apesar de sabermos não ter sido sempre assim na trajetória desse tema, é certo que a atitude positiva em efeito hoje na Câmara dos Deputados esteve em efeito nas últimas semanas também entre grupos e indivíduos que atuam pelo mesmo objetivo no que se refere à abolição do uso de animais em circos e que não puderam estar presentes na Câmara dos Deputados na data de hoje.
Conforme descrevi no início, ainda temos muito a trilhar tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal até que possamos concluir o capítulo que se refere aos animais mantidos em circos. Nesse sentido, peço aos grupos para que se mantenham alertas e ativos em sua mobilização. Pude constatar pessoalmente que os deputados registram e respondem às manifestações feitas por meio de mensagens eletrônicas, em especial as que são feitas em tom educado. Aos que têm acesso a Brasília, a visita aos gabinetes e outras formas de contato direto com os parlamentares são de extrema importância. Àqueles que não têm acesso fácil ao Planalto Central, mas que poderiam fazer um esforço maior para criar essa possibilidade, eu recomendo fortemente que o façam. Aos que estão impossibilitados de se fazerem presentes, escrevam de maneira educada aos deputados que farão parte da Comissão de Educação e Justiça. E desde já, todos podem escrever aos deputados que votaram na Comissão de Educação e Cultura agradecendo pelo voto favorável ao Substitutivo do Projeto de Lei 7.291/2006 que proíbe o uso de animais em circos em todo o território nacional.
Oportunamente, dividi o voo de ida a Brasília com a Senadora Marina Silva, de quem me aproximei explanando o propósito da minha viagem e seguindo com a consulta sobre o seu posicionamento em relação à questão dos animais em circos. Com muita prudência, ela me respondeu: “acredito que tenhamos uma posição bastante semelhante”.
Há muitos caminhos que, inexoravelmente, colocarão a exploração de animais não-humanos nos capítulos mais vergonhosos da história da nossa civilização. O caminho que faz uso dos processos legislativos é um deles e por isso devemos saber usá-lo com eficácia. Nesse caminho, onde os parlamentares são os únicos a terem voz no momento da votação em plenário, não devemos nos esquecer de que somos nós que damos voz a eles. E para aqueles de nós que escolhemos fazer uso de nossa voz em favor de outrem, ainda que esse outrem não nos tenha elegido por meio dos mesmos processos eleitorais em efeito em nossa sociedade humana moderna, lembremo-nos de que somos nós a ponte entre eles e aqueles que têm o poder de legislar de forma que possa ser favorável à sua libertação.
Ofereço os meus agradecimentos pessoais à Ana Nira, Marina Corbucci, Renata Martins e Sônia Fonseca, cujo apoio e orientação foram preciosos para a realização do trabalho no qual eu propus a engajar-me nesse breve período.
George Guimarães

VEDDAS – Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade
http://www.veddas.org.br/
veddas@veddas.org.br

Veja as fotos que ilustram os acontecimentos acessando www.veddas.org.br/circos/fotos.htm

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