quinta-feira, 1 de julho de 2010

Descoberta maior quadrilha de tráfico de animais silvestres do Brasil

Entre os 29 presos estão diretores do IAP e ex-comandante da Força Verde

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A operação São Francisco, da polícia federal, começou há oito meses investigando uma organização criminosa de tráfico internacional de animais silvestres e resultou em 32 prisões decretadas até o momento. Entre os presos, estão o Coronel da Polícia Militar e ex-comandante da Força Verde Sergio Filardo, o diretor administrativo do IAP, Harry Telles, o diretor de fiscalização do IAP Jackson Vosgerau e o assessor do tribunal de contas do Estado Sergio Buzato.

“Desde 2006 quando iniciou este esquema de tráfico de animais eles tinham conhecimento da situação e não fizeram nada para impedi-lo, na tentativa de que o caso fosse arquivado”, conta o delegado chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Ambientais, Rubens Lopes da Silva. Segundo ele, estão sendo investigados se houve apenas troca de favores, dinheiro ou ambos os favorecimentos.

Marcio Rodrigues era o fornecedor de animais que esquematizava o tráfico internacional para todo o Brasil dos estados de São Paulo, Santa Catarina e Paraná. Ele e seus comparsas reproduziam animais silvestres em cativeiro e também compravam ovos. “Geralmente o transporte ocorria com ovos escondidos pelo corpo, mas também ocorreram situações em que os animais eram dopados e transportados vivos”, explica.


Quinzenalmente Marcio realizava leilões desses animais em uma chácara na Borda do Campo, em São José dos Pinhais, onde o valor médio de um pássaro leiloado era de R$ 700, sendo que o menor valor era de R$ 500. Com esse comércio ilegal estima-se que a quadrilha movimentava, pelo menos, R$ 5 milhões por ano. Marcio contava com a intermediação de um Holandês, em Amsterdã, que deve ser apresso ainda nesta quarta-feira (30).

“Já foram expedidos 236 autos de infração e 568 pássaros foram recolhidos, mas a previsão é de que até o final da operação cerca de 10 mil aves sejam localizadas”, revela o diretor de proteção ambiental do IBAMA/PR, Luciano Menezes. Para ele, se trata da maior quadrilha descoberta até agora, mas como a operação ainda está no início muitos contatos em outros estados ainda devem ser descobertos. “Pegamos o cabeça e a partir de agora fica muito mais fácil chegar nos menores”, acredita.

De acordo com a coordenadora de fauna do IBAMA/PR, Thais Michele Fernandes, os animais eram bem tratados no cativeiro porque tinham que estar bem apresentados para a venda, no entanto deveriam sofrer até chegar lá. “Estimativas apontam que de cada 10 animais capturados apenas um chega no cativeiro com vida”, afirma.

Todos os presos têm vínculo direto com fornecedor principal e vão responder criminalmente de acordo com o ato praticado. Marcio responde por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, pois tinha uma empresa de fachada, receptação e falsificação de documento público por falsificar anilhas metálicas nos animais, que davam a falsa impressão de que a venda era legalizada. “Somadas as penas, Marcio deve receber condenação de mais de 40 anos de reclusão”, calcula o delegado. Segundo ele os compradores que tinham conhecimento do ato ilícito também vão responder por receptação. Os animais estrangeiros, trazidos clandestinamente para o Brasil, devem ser devolvidos para os países de origens.

Reportagem Daiane Rosa

Jornale Curitiba

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