quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O respeitável público não quer mais animais em circos!

Renata de Freitas Martins

INTRODUÇÃO
Atualmente estamos vivenciando um importantíssimo momento ético e legislativo em relação à presença de animais em espetáculos circenses.
Muitos os Estados e Municípios que atentaram para a questão, especialmente pelo crescente pleito da sociedade pelo fim da crueldade que a subsunção dos animais não-humanos aos animais humanos em circo significa. Atualmente são cinco os Estados que proíbem as apresentações, bem como mais de cinqüenta Municípios em todo o país.
Há ainda em tramitação projetos de leis em muitas cidades, alguns Estados, com destaque para a Bahia (PL 16.957/07, de autoria do deputado estadual Javier Alfaya) e também um de âmbito Federal, o PL 7291/06, tramitando atualmente na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.
A aprovação dos citados projetos de lei é de suma importância, conforme pode-se depreender dos argumentos que apresentaremos a seguir.
ORIGENS DA UTILIZAÇÃO DE ANIMAIS EM CIRCOS
Segundo Antônio Torres, em seu História do circo no Brasil (Funarte, 1998), é possível que a arte circense tenha suas raízes na Grécia antiga e no Egito. Os espetáculos desse período tinham a forma de procissões, cujo objetivo era celebrar a volta da guerra. Nesses cortejos, desfilavam homens fortes conduzindo os vencidos, trazidos como escravos, e animais exóticos, utilizados para demonstrar quão longe foram os generais vencedores.
Há, ainda, registros da presença da arte circense na China, onde a acrobacia era bastante popular, datados de mais de 4 mil anos. Relatos dão conta de que os chineses organizavam um festival anual desse tipo de apresentação. Dele teriam se originado os números da corda bamba e do equilíbrio sobre as mãos.
Espetáculos semelhantes ganharam força no Império Romano com a apresentação de habilidades incomuns em grandes anfiteatros, como o Circo Máximo de Roma e, mais tarde, o Coliseu, que comportava quase cem mil espectadores. Fazia parte da diversão, além da exibição de habilidades, a exposição do raro, do excêntrico, do inusitado - como animais exóticos, homens louros nórdicos, engolidores de fogo, gladiadores, entre outras atrações. No período de perseguição ao cristianismo, as arenas foram ocupadas por espetáculos de violência, como a sangrenta entrega de cristãos a felinos.
Com o passar do tempo, o impulso por divertir foi tomando novas formas e ocupando diferentes espaços. Durante séculos, artistas se exibiram em feiras populares, praças públicas e entradas de igrejas, com truques mágicos, malabarismo e outras habilidades julgadas incomuns.
O circo moderno, na forma como conhecemos hoje, com espetáculos pagos, picadeiro, cobertura de lona e cercado de arquibancadas, é invenção mais recente. Foi criado em 1770, por Philip Astley, suboficial inglês que comandava apresentações da cavalaria. Em seu circo, além das atrações com cavalos, Astley incluiu saltimbancos e palhaços. O enorme sucesso do espetáculo em Londres inspirou a criação de apresentações semelhante em toda a Europa e para além dos limites do Velho Mundo.
Nos Estados Unidos, primeiro país das Américas a receber essa atração, o circo consolidou sua característica itinerante, ao viajar por distintas cidades para fazer apresentações. Também nos Estado Unidos, o espetáculo consagrou a apresentação do que se consideravam excentricidades - mulheres barbadas, anões, gigantes, gêmeos siameses, pessoas muito velhas e deformações humanas e animais.
No Brasil, há registro da existência de pequenos espetáculos circenses a partir do final do século XVIII, provavelmente trazidos por ciganos expulsos da Europa. Em suas apresentações, esses artistas utilizavam doma de animais, números de ilusionismo e até teatro de bonecos. O circo moderno, no entanto, só chegou ao país no século XIX. Incentivadas pelos ciclos econômicos do café, da borracha e da cana-de-açúcar, grandes companhias européias vieram apresentar-se nas cidades brasileiras. Foram essas companhias que ajudaram a formar as primeiras famílias de circo, responsáveis pelo progresso da arte circense no Brasil.
O desenvolvimento do circo brasileiro não se deu em termos de espaços e equipamentos - concentrou-se no elemento humano, na sua destreza e habilidade. Foram mantidos números clássicos, como o do engolidor de fogo ou o da corda bamba, e criadas novas atrações adaptadas à cultura local. Os nossos palhaços, por exemplo, sempre falaram muito e usaram um tipo de humor mais malicioso, diferentemente do palhaço europeu, que era, por tradição, um mímico. Os números perigosos como o trapézio ou a doma de animais também ganharam mais espaço por de certa forma agradar muito aos brasileiros, à época desprovidos de informações sobre doma, manutenção dos animais nos circos e afins.
O circo que conhecemos é, portanto, fruto da evolução da arte circense. Esse espetáculo tradicional, familiar, composto de palhaços, trapezistas, mágicos e domadores, que povoou a infância de muitos e ocupa espaço na memória nacional, passa, no presente, por novas mudanças, seguindo o seu curso de evolução.
O surgimento dos grandes centros urbanos, o desenvolvimento tecnológico, o crescimento da economia da cultura, a concorrência de novas formas de entretenimento levaram os espetáculos circenses a se profissionalizar e a se concentrar na performance dos artistas.
Nesse novo cenário, o conhecimento circense não se transmite somente de pai para filho - exige preparo em escolas especializadas. Hoje são poucos os circos que continuam familiares.
Muitos donos de empreendimentos circenses que atuaram nos picadeiros preferem zelar para que seus filhos estudem e permaneçam no circo não como artistas, mas como administradores. A mudança nos valores e no perfil da nossa sociedade, cada vez mais urbana, tem criado uma demanda mais sofisticada e mais cosmopolita para a arte. Para adaptar-se aos novos tempos, os circos já vêm incorporando tentativas de desenvolver um diferente tipo de espetáculo que envolva novas linguagens além das atrações tradicionais.
O circo contemporâneo - ou novo circo, como alguns historiadores o chamam - apresenta um modelo que prospera atualmente, conhecido como circo do homem, por envolver somente a figura humana nas performances, excluindo a participação de animais. Seu formato, ainda em processo de desenvolvimento, representa uma tentativa de adaptar as artes circenses às exigências do mercado artístico contemporâneo, de fazê-lo acessível a todos os públicos, respeitando os valores sociais, sem deixar de cumprir os objetivos primordiais do circo: proporcionar alegria, ilusão e fantasia, em favor do entretenimento. Vários circos internacionais, como o Cirque du Soleil, do Canadá, e o Circo Oz , da Austrália, adotam essa nova abordagem artística, que não admite o uso de animais, cedendo espaço para as performances humanas. No Brasil, muitos circos orientam-se por essa concepção, como o Circo Popular do Brasil, a Intrépida Trupe, os Irmãos Brothers, o Circo Roda Brasil, o Teatro de Anônimos, entre tantos outros.
Esse novo modelo tem contribuído para a valorização do artista circense, criando um mercado promissor e altamente competitivo para esse profissional, com a remuneração associada à sua habilidade e ao grau de dificuldade da exibição.
MANUTENÇÃO E TREINAMENTOS DE ANIMAIS EM CIRCOS: GENERALIDADES
É sabido que os animais não humanos são dotados de sentimentos e instintos. Assim, como os animais ditos racionais, sentem dor, medo, angústia, stress, prazer, desprazer, tristeza, etc. São seres sencientes e que devem ter a mesma consideração à vida que qualquer outro ser vivo, pois estão todos em um mesmo patamar moral.
Nos circos, para que o animal se apresente manso e obediente, cada espécie é treinada de uma determinada forma a seguir explicitada:
ELEFANTES
"Como fazer para conseguir a atenção de um elefante de 5 toneladas. Surre-o. Eis como." (Saul Kitchener - diretor do San Francisco Zoological Gardens)
Antes de chegarem no circo, passam por meses de tortura. São amarrados sentados, numa jaula onde não podem se mexer para que o peso comprima os órgãos internos e causem dor;
Levam surras diárias, ficam sobre seus próprios excrementos até que passem a obedecer;
Elefantes se comunicam, vivem em grupos com papéis sociais definidos, são extremamente inteligentes, ficam de luto por seus mortos e são capazes de reconhecer um familiar mesmo tendo sido separado dele quando filhote;
Sofrem de problemas nas patas por falta de exercícios, pois na natureza elefantes andam milhares de quilômetros todos os dias;
No circo os elefantes permanecem acorrentados o tempo inteiro. Mexer constantemente a cabeça é uma das características da neurose do cativeiro.
LEÕES, TIGRES E OUTRO FELINOS
De acordo com Henry Ringling North, em seu livro "The Circus Kings", os grandes felinos são acorrentados a seus pedestais e as cordas são enroladas em suas gargantas para que tenham a sensação de estarem sendo sufocados;
São dominados pelo fogo e pelo chicote, golpeados com barras de ferro e queimados na testa pelo menos uma vez na vida para que não esqueçam da dor;
Muitos têm suas garras arrancadas e presas extraídas ou serradas;
Passam a maior parte de sua vida dentro de jaulas apertadas.
URSOS
Tem o nariz quebrado durante o treinamento;
Suas patas são queimadas para força-los a ficar sobre duas patas;
São obrigados a pisar em chapas de metal incandescente ao som de uma determinada música. No picadeiro, os ursos escutam a mesma música usada durante o "treinamento" e começam a se movimentar, dando a impressão de estarem dançando;
Muitos tem garras e presas arrancadas. Já foi constatado um urso com 1/3 de sua língua arrancada;
Alguns ursos se auto mutilam, batendo a cabeça nas grades e comendo suas próprias patas.
MACACOS
Apresentam o mesmo comportamento de crianças que sofrem abusos;
Até 98% do DNA dos chimpanzés é igual ao DNA humano;
Apanham para obedecer e obedecem apenas por medo;
Roer unhas e auto mutilação são comportamentos freqüentemente encontrados em macacos cativos;
Os dentes são retirados para que o animal possa ser fotografado junto às crianças.
CAVALOS
São açoitados e confinados sem direito a caminhadas;
Apanham para aprender;
Muitas vezes, por terem que fazer os números em pisos inadequados, especialmente escorregadios, acabam adquirindo lesões irreversíveis, com fortes dores.
TODOS OS ANIMAIS EM CIRCO
Estão sujeitos aos instrumentos dos clássicos "treinamentos": choques elétricos, chicotadas, privação de água e comida;
Ficam confinados sem a mínima condição de higiene, sujeitos a diversas doenças;
O confinamento não lhes fornece o mínimo de condições de bem-estar, sendo, aliás, totalmente contrário à vida que teriam em seus habitats;
Não têm assistência veterinária adequada;
São obrigados a suportar mudanças climáticas bruscas e viajar milhares de quilômetros sem descanso.
Por estas razões é que diversas associações pelos direitos dos animais condenam e trabalham contra a presença de animais em circos, e esta atitude tem sido fomentada por grande parte do respeitável público circense, sendo que todos os fatos narrados podem ser comprovados por amplo material já produzido, especialmente no Brasil. Também incluiremos em tópico adiante alguns exemplos de acidentes já ocorridos, o que deixará ainda mais indubitável que lugar de animais não-humanos definitivamente não é em circos.
Com efeito, os animais obedecem não por índole, mas porque sentem dor, desespero, medo, raiva, aflição, insatisfação, incômodo, situações que, sem dúvidas são caracterizadas como crueldade e maus-tratos.
DOMESTICAÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES?
Animais silvestres ou selvagens são aqueles naturais de determinado país ou região, que vivem junto à natureza e dos meios que este lhes faculta, pelo que independem do homem.
Pois bem. Com esta definição de animais silvestres fica latente que a domesticação destes é algo totalmente anti-natural, e, portanto, é considerada maus tratos, já que para que esta existe, haverá que se retirar o animal de seu habitat natural, alterando-lhe toda uma estrutura de vida e costumes, podendo inclusive levar-lhes à morte.
Aliás, não apenas a retirada do animal de seu habitat que lhe trará malefícios, mas também, e, principalmente, os hábitos que o ser humano irá imputar-lhe, para que viva com essa nova "sociedade", portanto, mesmo que sejam originários da vida em cativeiro, as condições de vida que lhes são imputadas nada têm a ver com as necessidades que têm.
Em circos, normalmente os hábitos novos imputados aos animais são dos mais cruéis. Animais são forçados a realizar malabarismos e diversos outros números para entreter o público, porém, para que "aprendam" a fazer tudo que seus domadores desejam, sofrem demais.
Devemos finalmente ressaltar que, animais silvestres, apesar de em tese terem sido domesticados, podem revoltar-se, e então, ninguém será capaz de pará-los. Temos exemplos recentes de acontecimentos fatais por causa desta insistência de alguns circos em manterem animais em seus números, como a morte do garoto Juninho em Pernambuco, que fora puxado para dentro da jaula de leões famintos e lhes servindo de refeição, após três dias de total jejum.
Assim, é inquestionável que lugar de animal silvestre é na natureza, seu habitat natural, e que a diversão humana, sadia e inteligente, imprescinde do sofrimento de outrem, afinal de contas, artistas de circos sem animais são muito criativos, talentosos e capazes de entreter seu público. Nada como o bom e velho palhaço, os malabaristas, trapezistas e mágicos!
E OS ANIMAIS DOMÉSTICOS?
Também é comum encontrarmos animais domésticos, como cães, gatos e cavalos em apresentações de espetáculos públicos. Mas será que o simples fato de serem domésticos é permissivo para que seus tutores façam o que bem entenderem com eles?
Do mesmo modo que os animais silvestres nativos e exóticos, os domésticos indubitavelmente também possuem sua tutela legal e jurídica albergada por nossa legislação em vigor.
Ademais, de se ressaltar que animais domésticos são seres especialmente de companhia e não devem ser submetidos a longas jornadas de treinamento e trabalho, sendo obrigados a realizar atividades totalmente contrárias à sua natureza, bem como estando expostos a músicas em altos sons, gritaria e afins (lembrando-se que a audição dos animais é extremamente mais sensível e potente que a dos humanos. O cavalo, por exemplo, possui uma acuidade auricular quatro vezes melhor que a dos humanos).
De se ressaltar ainda que um animal só aprende determinado procedimento após repeti-lo incontáveis vezes, por reflexos condicionados, e, portanto, mesmo se tratando de um animal doméstico, não há nada natural em se forçar um cão a ficar constantemente apoiado apenas em duas patas ou então que um gato pule de uma altura de 20 metros ou ainda um cavalo dando pinotes em minúsculos palcos escorregadios, por exemplo.
Finalmente, não poderíamos deixar de citar os danos físicos que acometem os animais domésticos, que chegam até mesmo a pagar com suas próprias vidas para realizarem algum número forçado por seus "treinadores", ou ainda pelas condições lastimáveis em que são mantidos, em espaços minúsculos e sem higiene, propensos a adquirirem inúmeras doenças e em notório estado de maus tratos.
ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE
Além de legislação específica já em vigor em determinados locais, conforme já citamos, devemos também atentar que nossa legislação ambiental alberga a tutela dos animais, inclusive todos aqueles utilizados em circos.
A Constituição da República, no capítulo do Meio Ambiente, assim dispõe:
"Art. 225 - Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1° - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
(...)
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade."
Importantíssimo ainda a tutela aos animais albergada pelo Decreto Federal 24.645/1934:
"Art. 1° - Todos os animais no país são tutelados do Estado.
Art. 2°, § 3°: Os animais serão assistidos em juízo pelos representantes do Ministério Público, seus substitutos legais e pelos membros das sociedades protetoras dos animais.
Citado decreto, inclusive, já proíbe a apresentação de animais em circos desde o ano de 1934, conforme podemos depreender de seu artigo 3º, que em rol exemplificativo traz situações que tipificam situações de maus tratos, e especialmente em seu inciso XXX, assim considera a exibição de animais em casas de espetáculos para a realização de acrobacias, ou seja, exatamente as atividades praticadas por circos.
Já a Lei de Crimes Ambientais (Lei federal n° 9.605/1998), finalmente, contempla o seguinte tipo:
"Art. 32 - Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos."
Assim, devemos ressaltar que a proteção de todos os animais está albergada em nossa legislação, sendo crime qualquer ato que prejudique o animal, seja ele um cão poodle, um cavalo ou animais exóticos utilizados em apresentações circenses (elefante, urso, camelo).
E não obstante a questão legal abordada, a preservação da VIDA, seja ela de qual forma for, há que prevalecer como objetivo primordial e essencial na consciência e ética humana e ambiental. O ser humano deve alcançar a tão necessária evolução e parar definitivamente com a arcaica e irracional exploração de animais, tornando-se finalmente um ser racional, condição da qual tanto se orgulha de ostentar.
DOS DISPOSITIVOS DO IBAMA A RESPEITO DE ANIMAIS EXÓTICOS EM CIRCOS
Mister também ressaltarmos que, mesmo que se considerasse a possibilidade de manutenção de animais em circos, os animais presentes atualmente em circos de modo algum poderiam estar atualmente sob a tutela dos circenses, tendo em vista que é notório a qualquer leigo a falta de condições adequadas para a dignidade destes animais.
Conforme portaria IBAMA n.º 108/94, que regulamenta a manutenção de algumas espécies de animais exóticos por pessoas físicas ou jurídicas, dentre elas, aqueles mais comuns mantidos por circos como o Ursus arctus (urso pardo), o Elephas maximus (elefante asiático), o Panthera leo (leão) e o Panthera tigris (tigre), algumas exigências devem ser atendidas. As principais são:
- assistência permanente de pelo menos um médico veterinário;
- que o animal seja sexado e marcado (leia-se microchipado);
- apresentação de relatório anual (atualmente também com relatórios resumidos trimestrais a serem apresentados via internet);
- proibição de visitação pública;
- recinto nos mínimos padrões exigidos:
Urso
Área - 100 m² / 600 m³ (se arbícola)
Abrigo - 15 m²
Tanque - 15 m² / 2m profundidade
Área de Cambiamento - 10 m²
Piso - camada de terra 2,0 sem concreto.

Elefante (Proboscidae)
Área - 1000
Tanque - 100 m² / 3m profundidade
Área de Cambiamento - 2 x 50 m², altura mínima de 100 m
Piso - areia/terra, sem concreto
Especificidade: cambiamento em concreto. Portas de trilho reforçado.

Leão e Tigre
Área - 60 m² / 150 m³
Abrigoo - 15 m²
Área de Cambiamento - 3 x 6 m²
Piso - areia/terra, sem cimento
Tanque: 10 m² / 1,0 m profundidade.
Além das regras citadas, o transporte desses animais apenas poderá ser feito com a obtenção das respectivas guias de transporte (GTA), estando os animais com todas vacinações em dia, bem como com estado de saúde totalmente perfeito.
Importante também lembrar que é proibido no país a entrada de espécie exótica sem as devidas autorizações (artigo 31 da Lei de crimes ambientais), e, portanto, mesmo que filhotes tenham nascido no país, necessário comprovar-se a origem dos animais, bem como de todos seus ascedentes, pois a existência de ao menos um único animal que tenha entrado no país de forma ilegal, já enseja a ilegalidade de todos os seus descendentes.
Portanto, sem necessidade de conhecimento técnico algum, apenas pela simples observação, é notório que algumas das normas basilares para se tutelar os animais não são observadas minimamente pelo circo, especialmente no que se refere à questão de visitação pública e de padrões mínimos de recintos.
ALGUNS FATOS OCORRIDOS EM CIRCOS COM ANIMAIS NO BRASIL
São muitos os acidentes com animais em circos, prejudicando os próprios animais, bem como seus tratadores, outros componentes dos circos, o público e a população em geral. Para não nos tornarmos muito prolixos, selecionamos apenas alguns dos fatos para exposição a seguir, apenas a título de mera exemplificação prática:
- Bady Bassit/São José do Rio Preto/SP, abril de 2008: leão solto por circo causa pânico na região;
- Mata de São João/BA, dezembro de 2007: macaco arranca parte do dedo de uma menina de 3 anos. Animal fica em jaula improvisada em carrinho de supermercado;
- Cuiabá/MT, dezembro de 2007: leão pula muro e foge de circo;
- Vitória/ES, outubro de 2007: mulher tem braço amputado após mordida de leão de circo que tentou acariciar.
- Palhoça/SC, maio de 2006: elefante foge de circo;
- Itaboraí/RJ, fevereiro de 2006: leão é encontrado em jaula aberta escorada apenas com uma tábua em frigorífico abandonado;
- Uberaba/MG, dezembro de 2005: 5 leões são abandonados por circo m estrada;
- Ervália/MG, julho de 2005: macaca chimpanzé arranca dedo mínimo de criança de 12 anos que estava em circo que se apresentava na cidade;
- Campos do Jordão/SP, julho de 2005: dois tigres morrem no circo Stankowich. A priori afirmou-se que fora de frio, porém, após, em laudo feito por veterinário do circo, ficou constatada morte por vírus transmitido por gato doméstico, o que no sugere a ingestão de animais domésticos pelos animais do citado circo, já que representantes do circo tentaram descartar o cadáver de um dos animais, abrindo-lhe e queimando as vísceras, inclusive.
- Restinga Seca/RS, junho/2005: criança de oito anos sofreu ferimentos ao encostar em grade de leão, o qual acabou sendo executado com choque elétrico, por meio de aparelho para este fim portado por seu treinador;
- Lavras do Sul/RS, maio/2005: homem é atacado por um tigre de circo, tendo seu braço esquerdo amputado;
- São Paulo/SP, fevereiro de 2005: chimpanzé Dolores, após ter sido retirada do circo Di Napoli pelo IBAMA, estando depressiva e com bronquite crônica, finalmente é encaminhada para um santuário após decisão judicial;
- Antônio Carlos, Florianópolis/SC, julho de 2004: dois leões e dois tigres são apreendidos em um circo, após serem encontrados desnutridos e em jaulas soldadas;
- Curitiba/PR, junho de 2004: IBAMA precisa encontrar um novo lar para 2 leões que estavam com um particular e não têm mais condições de mantê-los. Animais nascidos em circo;
- Iguaraci/PE, abril de 2004: o urso pardo Bruno, maltratado e desnutrido é simplesmente abandonado por circo no sertão do Pernambuco;
- Penha/SC, março de 2004: morre gato em conseqüência de queda na apresentação do número "pulo do gato" em circo em Santa Catarina;
- Aparecida de Goiânia/GO, dezembro de 2003: tigresa da espécie real de bengala ataca tratador, mordendo antebraço e bíceps do rapaz, o qual teve sérios ferimentos, tendo que ser submetido a cirurgia para tentar recuperar os movimentos;
- São Paulo/SP: Bambi, elefanta presente no circo Stankowich escapa para a Radial Leste em pleno horário de rush;
- Penha/SC, outubro de 2003: morre Madú, elefanta que viveu anos em um circo e passou o final de sua vida em um outro circo em Santa Catarina. No laudo atestava-se que a elefanta morreu com um raio na cabeça, apesar de ter vivido ao redor de uma cerca eletrificada e de diversas testemunhas terem presenciado sua cruel morte por eletrocussão;
- Sumaré/SP, janeiro de 2003: circo Stankowich abandona três leões no centro da cidade de Sumaré/SP, alegando não querê-los mais. Os animais foram encaminhados em estado lastimável de saúde para o Santuário Ecológico Rancho dos Gnomos, sendo que um dos animais estava tão debilitado, que veio a óbito;
- Maracanaú/CE, dezembro de 2001: leoa morta a tiros depois de escapar em circo no Ceará;
- Curitiba/PR, agosto de 2001: trapezista do circo imperial do México teve que amputar braço após ter sido atacado por leoa;
- Atibaia/SP, abril de 2000: circo Bartholo abandona 3 leões e 1 leoa em terreno baldio;
- Recife/PE, abril de 2000: leões matam garoto. Quatro leões famintos do circo Vostok puxam o garoto Juninho para dentro da jaula no intervalo da apresentação do espetáculo circense. Garoto tem uma morte trágica e cruel e os animais são todos mortos. Em exame necroscópico, há a constatação de que os animais não comiam há dias.
CONCLUSÕES
Os legisladores baianos, bem como os federais deverão atentar-se que o circo contemporâneo apresenta um modelo que prospera atualmente, conhecido como circo do homem, por envolver somente a figura humana nas performances, excluindo a participação de animais.
Além disso, a utilização de animais não humanos para tentativa de atraçãode um suposto público é uma ultrapassada e falidaestratégia de marketing, tendo em vista que o anseio da sociedade moderna há tempos vem evoluindo, de modo que não mais aceitam o tratamento de animais não-humanos como se meros objetos fossem, além de se ressaltar que já se trata de atividade ilegal e inconstitucional, conforme rol legislativo já citado e pela indubitável crueldade que tal ato significa.
Também não há que se falar em educação, arte e cultura na apresentação de animais em situações totalmente estranhas às suas naturezas, além de toda uma vida submetida às jaulas e à itinerância, sob todo tipo de intempérie climática. Educação, arte e cultura não são feitas e nunca o serão por meio da exploração de qualquer forma de vida que seja, pois caso contrário teríamos um enorme contra-senso. Qual seria a lição a se transmitir a uma criança ao fazê-la ver um elefante subindo em um banquinho? Ou um leão e um tigre pulando um arco de fogo? Ou ainda um urso dançando ou andando de bicicleta? Um gato pulando de uma altura de dez metros e se espatifando no chão? Não vejo outra a não ser a de que animais seriam seres inferiores e que o humano ("todo-poderoso") pode dominá-lo e fazer o que quiser...
Assim, roga-se que legisladores tenham uma atuação ética e não antropocêntrica, coadunando-se com as tendências mundiais morais globais, e finalmente votando e aprovando o PL do Estado da Bahia 16.957/07 e o PL federal 7291/06, proibindo-se a apresentação e manutenção de quaisquer animais não-humanos nos circos e espetáculos assemelhados.
E que o respeitável público ostente mesmo esse título de respeitável e continue evoluindo em seus conceitos éticos, morais e legais, não aceitando a crueldade como cultura e arte.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Produtos vegetarianos caem no gosto dos brasileiros - Pequenas Empresas Grandes Negócios


No dia a dia, 28% dos brasileiros têm procurado comer menos carne. Esta é a conclusão do grupo Ipsos, líder no mundo no fornecimento de pesquisas de opinião pública e social, fundado na França, em 1975. E empresas de São Paulo confirmam o bom momento do mercado de comidas vegetarianas.

A fábrica de Lafayette Hohagen só produz carne, hambúrguer, picadinho e até medalhão à base de soja. Há dois anos, o empresário começou a produção de alimentos saudáveis. Ele sempre foi vegetariano e não encontrava os produtos que queria no mercado. Hoje, já tem nove itens para atender a todos os gostos.

“Os meus produtos, principalmente os que substituem a carne ou que são preparados como carne, não contêm substâncias químicas, leite ou ovo. Portanto, são produtos acessíveis a esse público”, explica.

Ele levou seis meses para desenvolver os alimentos, num investimento de R$ 50 mil, mas teve muita dificuldade para conquistar clientes.

“Você fala em soja e muita gente torce o nariz. Quando você percebe que grandes indústrias e empresas começaram a investir na alimentação saudável, principalmente enfocando a soja, você fica com mais coragem de entrar, apesar de saber das dificuldades”, confessa Lafayette.

A receita ele não fala para ninguém, mas a base dos produtos é a massa preparada. Primeiro, ela é colocada em um misturador por alguns minutos. Depois, é esticada numa prensa até chegar a espessura desejada. A partir daí começam os cortes no formato de cada item.

Reginaldo é o gerente de produção da fábrica. Antes de trabalhar na empresa, ele nem imaginava que existia este tipo de alimentação.

“Depois de começar a ter mais contato com produtos naturais e a adquirir mais o hábito, comecei a prestar mais atenção no meu tipo de alimentação”, garante.

Os alimentos são pré-cozidos, embalados e vendidos congelados. O empresário dá uma dica para quem quer investir neste setor.

“É um público exigente na qualidade da alimentação saudável. Então, se ele pega um produto, olha na composição e começa a ver um monte de cifras, números ou palavras inelegíveis, ele não consome. O nosso produto não tem absolutamente nada a não ser o trigo, a soja e o tempero”, afirma Lafayette.

Além de fornecer os produtos para supermercados, o empresário também faz entregas na casa do cliente. Ele contratou um motoqueiro, que percorre toda vizinhança. A cliente Anália Caly, por exemplo, optou por este tipo de alimentação por dois motivos.

“Por uma questão médica e também por estilo de vida, pois tenho um filho que me fez ficar vegetariana”, revela.

E no restaurante do chefe de cozinha Augusto Pinto, aberto há dois anos, a alimentação é 100% saudável.

“A gente se identifica mais como um restaurante que não vende carne, do que como um restaurante vegetariano. Não carregamos nenhuma bandeira, só não vendemos ou manipulamos a carne”, explica.

O curioso é que 80% dos clientes costumam comer carne normalmente.

“Estou sempre buscando alternativas diferentes de comer e aqui é um lugar gostoso, que tem uma boa comida”, elogia a cliente Mônica Medina.

Todos os dias são oferecidos pratos diferentes. E para não ficar amarrado em suas criações, o empresário fez questão de deixar de lado o cardápio fixo, tradicional nos restaurantes. Durante 15 anos, Augusto Pinto foi produtor cultural. E foi da antiga profissão que ele trouxe a idéia de surpreender sempre!

“A cozinha é um show por dia, uma produção diária, que vai desde a escolha do alimento, dos itens, de como você vai decorar o prato, de que molho você vai colocar. Isso é o que me motiva”, comenta.

O chefe de cozinha cria pratos como a feijoada de carne de soja, trouxinha de repolho orgânico com risoto de abóbora ou fisalis com chocolate. O preço do prato é único: R$ 14,50. No valor estão incluídos o prato principal, a sobremesa e o suco.

“É um público mais que exigente, interessado, preocupado com aquilo que consome. Ou seja, é público consciente da importância de se alimentar bem”, finaliza Augusto.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

30 motivos reais para seguir uma dieta vegetariana

POR MELISSA DINIZ. FOTO MÁRIO LEITE. PRODUÇÃO SANDRA TIR.
PARA A MAIORIA DAS pessoas que decidem se tornar vegetarianas, um bom motivo já é suficiente. No caso da jornalista Silvia Avanzi Calvoso, o amor aos animais falou mais alto. Militante ativa em defesa dos direitos dos bichos, ela não admite a idéia de sacrificar outro ser vivo para comer: "Ser vegetariana é o que torna a minha vida mais do que especial e acredito que a humanidade só vai dar um salto na sua evolução quando qualquer tipo de exploração animal for abolido", desabafa. Já para a terapeuta corporal Puja Punita, uma intolerância alimentar foi o estopim para a mudança: "Eu passava muito mal sempre que comia carne. Sentia o estômago pesado, cansaço e até dor de cabeça. Era como se meu corpo gastasse muita energia para digeri-la. Não valia a pena", conta. Há ainda razões religiosas, filosóficas, hábitos familiares e o receio de desenvolver doenças relacionadas à ingestão de carne. Sem falar no recente aparecimento de epidemias como a da vaca louca e da gripe do frango. Seja qual for a razão, o fato é que o número de vegetarianos vem crescendo em todo o mundo. Embora não haja estatísticas confiáveis sobre a questão em nenhum país, sabe-se que a procura por alimentos estritamente vegetais tem aumentado, seja nos supermercados, restaurantes ou nas grandes redes de fast-food, que já servem saladas, frutas e chás. Para se ter uma idéia, apenas no site de relacionamentos Orkut existem centenas de comunidades que discutem a polêmica, e isso só em língua portuguesa.
Em contrapartida, talvez não haja um tema capaz de gerar tantas dúvidas. Há quem pense, por exemplo, que aquele não come carne é desnutrido, fraco ou que tem a pele esverdeada. Tudo bobagem! A polêmica reina até mesmo entre os nutricionistas. Mas em um aspecto todos concordam: a ciência já comprovou que vegetarianos sofrem menos de obesidade, aterosclerose, doenças do coração, derrame cerebral, diabetes e qualquer tipo de câncer.
Se você se interessa pelo assunto, sente vontade de se tornar vegetariano, porém ainda tem incertezas, ou precisa de mais argumentos para se convencer, confira nas próximas páginas 30 razões essenciais para adotar esse tipo de dieta agora.
1. a obesidade é rara entre vegetarianos2. quem não come carne tem 50% menos chance de desenvolver diabetes3. mulheres vegetarianas são duas vezes menos acometidas por câncer na vesícula4. um estudo realizado por cientistas australianos constatou que o consumo de alimentos ricos em colesterol, como manteiga, carne vermelha ou queijo, aumenta o perigo de desenvolver o mal de Alzheimer5. vegetarianos têm 40% menos probabilidade de qualquer tipo de câncer6. os não-vegetarianos têm 88% mais risco de ter câncer no intestino grosso7.a mortalidade por doenças cardíacas é menor em vegetarianos e entre os que ingerem carne apenas uma vez por semana8. vegetarianos sofrem menos de hipertensão9. vegetarianos costumam ter a imunidade maior, sendo menos atingidos por doenças oportunistas 10. cientistas da Universidade de Leeds, na Grã-Bretanha, descobriram que mulheres que comem uma porção de cerca de 60 g de carne por dia têm 56% mais risco de ter câncer de mama11. ser vegetariano é não compactuar com o extermínio de animais12. os que não ingerem produtos de origem animal estão isentos do risco de contrair doenças transmitidas pela carne, pelo leite e seus derivados e pelos ovos13. quem não consome carne e leite ingere menos toxinas, que dificultam o funcionamento do organismo e podem causar irritação, mau humor e insônia14. os não-vegetarianos têm risco 54% maior de ter câncer de próstata15. pesquisas apontam que a osteoporose atinge menos os वेगेतारिअनोस

Carências nutricionais Quem se abstém do consumo de carnes, mesmo que apenas das vermelhas, em geral costuma ouvir protestos da família e dos amigos. As críticas são as mais variadas possíveis, apontando, quase sempre, o risco de se ficar anêmico. Segundo a nutricionista Vanessa Schmidt, de São Paulo, essa espécie de medo é infundada. "Desde que a pessoa siga a orientação nutricional de um profissional, fazendo as substituições necessárias e tomando certos cuidados, não terá nenhum tipo de problema", afirma.
Ela explica que, tanto minerais como cálcio e ferro, bem como as proteínas, podem ser adquiridos de fontes vegetais. Os dois primeiros estão presentes, por exemplo, nas verduras verde-escuras, como couve, brócolis e espinafre. Especialistas alertam, no entanto, que no caso do ferro, as hortaliças possuem uma variedade menos absorvida pelo organismo humano do que a existente em carnes, peixes e aves. Mas isso pode ser resolvido com medidas simples, como comer alimentos ricos em vitamina C, que potencializa a assimilação do metal. É importante também evitar a ingestão de bebidas e alimentos ricos em cafeína próximo às refeições. É que a substância pode comprometer a absorção dos minerais.
Leguminosas como soja, feijão e lentilhas, entre outros alimentos, oferecem proteínas de alta qualidade. Por isso, devem ser sempre consumidas.
Se há algum nutriente que pode faltar no organismo de vegetarianos é a vitamina B12, normalmente encontrada em ingredientes de origem animal। Mas esta forma de carência, que em situações extremas pode ocasionar anemia e alterações neurológicas, só acomete quem não consome nem sequer ovos ou leite. Até mesmo esses casos, entretanto, podem ser prevenidos ou corrigidos com suplementação vitamínica ou ingestão de alimentos enriquecidos. Casos especiais, como gravidez, lactação, menopausa ou primeira infância devem sempre ser orientados e acompanhados por profissionais.

Opção muito mais saudável Ao contrário do mito da desnutrição e da fraqueza, uma dieta vegetariana, se bem conduzida, costuma ser uma escolha muito mais saudável. Isso porque prioriza os alimentos de origem vegetal, que não têm colesterol e são bastante ricos em fibras. Além disso, hortaliças variadas oferecem uma gama incrível de nutrientes ao organismo. Não é à toa que o nome vegetariano tem origem na expressão latina "vegetus", que significa forte, vigoroso.
Contudo, se você pensa que para ser vegetariano precisa ser adulto, engana-se. Um exemplo disso é Pedro, o lindo bebê de Puja, de apenas 1 ano e quatro meses, que não consome nenhum alimento de origem animal. "Ele é uma criança supersaudável, nunca ficou doente. Come muitas frutas, verduras, troca qualquer refeição por um prato de melancia", diz a mãe orgulhosa. O mais interessante é que Pedro se recusa a ingerir carne ou tomar leite.
"Eu já tentei dar leite de vaca, mas ele cospe। Os avós têm medo que ele não cresça e vivem oferecendo carne. Até osso já deram para ele roer, porém não adiantou", conta Puja. Ela ressalta que, em sua casa, todos são vegetarianos e que na festa de aniversário do menino até os convidados entraram na dança: "Servi doce de gergelim e maçã assada com canela, as crianças avançaram. Quem disse que criança não gosta de comida saudável?", questiona.

Por amor aos animais "Desde muito criança manifestei um forte amor pelos animais. Não podia ver um bicho desprotegido que já pegava e levava para casa. Morava no interior de São Paulo, numa casa com quintal e sempre havia espaço para eles lá. Minha mãe reclamava, mas sempre vinha com os remedinhos certos para curar todos eles. Meu playground era um pasto nas vizinhanças, cheio de vacas, bezerros, cavalos e galinhas. Bem, gostava de todos esses também. Especialmente da cara meiga dos bezerros. Mas em casa havia carne todo dia. Eu comia porque nunca tinha ouvido falar que seria possível viver sem. Desde pequena já me questionava sobre isso, entretanto de uma forma confusa. Como é que podia ser natural comer a vaca e o bezerro de quem eu gostava tanto?
Bem, o tempo foi passando e eu vim estudar na capital. Em 1989, buscava informações a respeito da alma, do inconsciente. Por sorte, comecei a trabalhar numa revista e a diretora, Silvia Farias, era profunda estudiosa de temas holísticos. Pedi a ela a indicação de um livro para me "iniciar" nesses assuntos.
Ela me emprestou O lado oculto das coisas, de C. W. Leadbeater (ed. Pensamento). Esta obra foi um marco para o meu despertar. Nela estão contidos todos os aspectos de sofrimento e dor que causamos aos animais e como é absurdo tirarmos a vida deles por um simples prazer gastronômico.A partir daquele momento, nunca mais ingeri qualquer espécie de carne. Toda essa mudança também me levou a adotar novas atitudes perante a existência.
Passei a me envolver com proteção animal e a escrever sobre isso nas revistas em que trabalhei e trabalho. Na UMA, onde exerço a função de redatora-chefe, assino ainda duas colunas sobre o assunto: Loucas por bichos e Mundo melhor.
Nunca senti falta da carne. Pelo contrário, me sinto muito saudável desde então. Nesses 18 anos de vegetarianismo, meu peso praticamente não se alterou. Fonte de proteína? A melhor de todas: arroz com feijão ou com lentilha.
Fonte de proteína? A melhor de todas: arroz com feijão ou com lentilha. Ainda como ovos e queijos quando não é possível recusar, mas pretendo abandoná-los. Tenho certeza de que minha saúde é de ferro, pois nem gripe eu pego. Meu corpo está razoavelmente em forma, minha pele é jovem para idade que tenho e, acima de tudo, minha paz de espírito se deve a essa relação de fraternidade com os bichos." Silvia Avanzi Calvoso, jornalista.
Se você já adota algum tipo de vegetarianismo ou pretende adotar, fique atento aos nutrientes que pode estar perdendo e veja como substitui-los corretamente:
GRUPO 1 não come carne vermelha, apenas peixe e frango
Nutrientes perdidos- ácido fólico: Atua na formação dos glóbulos vermelhos। Outras fontes (leguminosas, vegetais verde-escuros, banana e melão).- vitamina E: Antioxidante que retarda o envelhecimento. Outras fontes (ovos, gérmen de trigo, verduras cruas, iogurtes, vegetais folhosos, amendoim, leite, manteiga e espinafre).- vitamina B6: Ajuda na produção de anticorpos, regula a pressão arterial e cardíaca. Outras fontes (verduras, cereais, frutas, frango, grãos, banana, melão, ovos, repolho e batata-doce).- ferro: (perde-se pouca quantidade) - proteína: Formação dos músculos. Outras fontes (ovos, leite e derivados).

GRUPO 2 consome apenas leite e derivados
Nutrientes perdidos- ferro: envolvido com a função imunológica e transporte de oxigênio para as células do corpo। Outras fontes (açaí, brócolis, feijões, banana e frutas secas). - todas as vitaminas e proteínas citadas no grupo 1.

GRUPO 3 não consome nenhuma proteína animal

Nutrientes perdidos - todos os nutrientes citados no grupo 1.- principal vitamina perdida é a vitamina B12, que exige suplementação depois de 1 ano de dieta restrita de proteína animal.- vitamina A: importante para a saúde da pele, olhos, dentes e cabelo. Outras fontes (tomate, abóbora, folhosos verde-escuros, melão e pêssego).- vitaminas do complexo B: outras fontes (batata-doce, nozes, cereais integrais, ameixa, figo, carne de soja, melão, banana, couve-flor, lentilha, batata e cenoura).
16. vegetarianos têm menos cálculos renais e biliares17. as taxas de triglicérides entre os vegetarianos são pequenas18. o risco de desenvolver câncer de mama é seis vezes maior em mulheres que consomem três ou mais ovos por semana19. os índices de mortes por infarto são de apenas 20% (mulheres) e de 31% (homens) vegetarianos20. os riscos de desenvolver diverticulite são 50% menores em vegetarianos21. a incidência de câncer pulmonar e colo-retal é mais baixa em vegetarianos22. vegetarianos têm menos derrame cerebral23. pesquisa da Unifesp constatou que uma dieta livre de carne vermelha é capaz de fazer regredir o mal de Parkinson24. os níveis de colesterol são 14% menores em ovolactovegetarianos25. uma dieta vegetariana combate a prisão de ventre26. cientistas da Universidade da Califórnia constataram que a carne vermelha e os laticínios podem inserir uma molécula estranha no organismo humano, capaz de gerar processos infecciosos na velhice, como a artrite27. o leite de vaca e seus derivados podem causar alergias, diarréia, excesso de gases, intestino preso e erupções na pele28. produtos de origem animal podem conter hormônios, antibióticos, resíduos químicos e metais prejudiciais ao organismo29. o consumo de carne vermelha piora os sintomas da TPM 30. leite de vaca, queijos amarelos, frango e carne vermelha podem agravar a enxaqueca

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Vegetarianos encenam abate de humanos no Fórum Social


Portal Terra
BELÉM - Integrantes da organização paraense Vegetarianos em Ação (V.E.M) e de entidades como a Ativismo Vegetariano (Ativeg) protestaram durante as atividades do Fórum Social Mundial (FSM), em Belém (PA), contra a matança de animais. Eles simularam a morte de humanos nas mesmas condições em que os animais são abatidos. O ato ocorreu na Universidade Federal Rural da Amazônia, sede do evento mundial.
Um ator representou a figura de um homem pré-histórico de posse de um tacape, enquanto outros apanhavam pessoas no meio da passeata e colocavam em uma espécie de caldeirão onde eram "sacrificados" e "cozidos".
- Escolhemos essa forma porque acreditamos que outro mundo é possível somente se tivermos uma revolução na nossa alimentação, pois num momento como esse, em que se discute o futuro do planeta pela devastação da Amazônia, ninguém lembra que ela é fruto da pecuária, cujo objetivo final é a matança desses animais - alertou um dos coordenadores do V.E.M, Diogo Solano.
O coordenador do Ativeg, Harlen Batagelo, que viajou de Campinas (SP) para integrar o movimento, ressaltou outro agravante.
- Ninguém faz a relação da plantação de soja para produção de ração animal com a devastação. Esse cultivo, que desmata a Amazônia, é 70% para essa finalidade - ressalta.
Entre as encenações, uma mulher também foi amordaçada e amarrada a um cabo de vassoura, sendo levada para abate.
- Eu estou aqui porque quero, posso pedir para sair a hora que eu quiser, mas a galinha, o porco, não podem! - gritava a ativista.
O protesto reuniu mais de 100 ativistas, que seguiram em passeata até a tenda indígena onde o Ministro da Justiça, Tarso Genro, se reuniu com lideranças indígenas.
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